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Medicinas Não Convencionais -
Fitoterapia
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Escrito por Miguel Boieiro
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Quarta, 20 Agosto 2008 22:53 |
Funcho A toponímia constitui um
manancial precioso de informações de carácter histórico, geológico, etnográfico
ou botânico. Em Portugal, são inúmeros os nomes das terras que referenciam a
biologia vegetal: Figueira da Foz, Figueiró dos Vinhos, Olivais, Olival Basto, Tojal,
Coentral, Sobreira Formosa, Sobral, Zambujal, Zambujeira do Mar, Rosmaninhal,
Castanheira, Carrasqueira, Esteval, Sabugal, Pinhal Novo, Arruda dos Vinhos,
Alandroal, Freixial, Amoreira, Amendoeira, Pereiro, Malveira, Murtosa,
Silvares, Aveleira, Cardal, Faial, Moita, Samouco (?), etc., etc., etc.
Veio-me este considerando à baila
porque me lembrei do Funchal, a bela capital da "Pérola do Atlântico" e do
provável grande número de pessoas que não a associam ao funcho. Pois é: quando
os primeiros colonizadores chegaram ao sítio, havia (e ainda há) grande
quantidade de funcho. Naturalmente até já provaram os famosos rebuçados de
funcho que se vendem na Madeira, ao mesmo tempo tão saborosos e tão bons para a
rouquidão. Mas não nos dispersemos!
O "Foeniculum officinale L."
pertence à família das umbelíferas ou apiáceas que, devido à configuração das
suas panículas florais, é uma das famílias botânicas mais fáceis de
identificar. Trata-se de uma planta aromática com imensas variedades e hibridações
(o funcho da Madeira não é exactamente o mesmo do que o continental),
sabiamente utilizada desde que a espécie humana surgiu na Terra.
Julga-se que o funcho silvestre é
originário da Europa meridional, mas hoje, as suas variegadas espécies
cultivam-se em todas as regiões temperadas e subtropicais. Dá-se bem em todos
os solos, mas prefere os terrenos calcários e secos bastante ensoalhados.
É herbácea perene com múltiplos
caules rectos canelados que podem ir até dois metros de altura, de cor verde
mais ao menos azulada (glauca), consoante a secura e a radiação solar. A raiz é
esbranquiçada, suculenta, fusiforme e alongada, da grossura de um dedo. As
folhas são compridas, alternas e delgadas, terminando em segmentos filiformes
flexíveis. As inflorescências formam umbelas de 20 a 50 pequenas flores amarelas,
hermafroditas e polinizadas por insectos. Elas geram frutos oblongos ou
sementes de forte aroma anisado, que não têm mais do que 8 mm de comprimento e 3 de largura.
Na constituição química do funcho
podemos encontrar hidratos de carbono, fibras, cálcio, fósforo, sódio,
potássio, magnésio, pró vitamina A, vitamina C e anetol que é um óleo
essencial. Anote-se que as percentagens de cada constituinte dependem muito de
cada variedade e das condições climatéricas.
O funcho é um legume cotadíssimo
em culinária, sendo utilizado de muitas maneiras. Pessoalmente, prefiro uma variedade
denominada "funcho de florença" que é mais doce do que aquele que se encontra
vulgarmente à beira dos caminhos. As suas folhas perfumam magistralmente a sopa
de vegetais e as sementes pulverizadas compõem uma agradável especiaria
condimentar.
Existe também uma espécie provida
de bolbo que é muito apreciado, recheado e assado, como entrada vegetariana.
A gastronomia chinesa usa o
funcho com frequência, mas são os italianos os grandes mestres da culinária do
funcho.
Naturalmente que, como planta
provida de óleo essencial fortemente aromático, também a perfumaria tira
partido das várias espécies de "Foeniculum".
Sob o ponto de vista medicinal, o
funcho é referido como anti espasmódico, aperitivo, digestivo, emenagogo,
expectorante, galactagogo, tónico, vermífugo e vulnerário. Por isso, é indicado
para tratar aerofagias, bronquites, diarreias, frigidez, impotência, falta de
lactação, meteorismo, obesidade, rouquidão e tosses.
Algumas receitas:
Para gases intestinais - cozimento
de 30g de sementes num litro de água. Beber o "chá" a seguir às refeições;
Para a bronquite - infuso,
durante cinco minutos, de 50g de folhas secas num litro de água a ferver. Beber
duas chávenas por dia;
Para aumentar a secreção do leite
materno - infuso, durante 10 minutos, de 30g de sementes num litro de água a
ferver. Beber quatro chávenas diariamente.
Nota: Alguns vocábulos serão provavelmente pouco usuais ao comum
dos leitores. Recomenda-se a consulta de um dicionário de botânica para mais
fácil identificação.
Miguel Boieiro
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Actualizado em Terça, 26 Agosto 2008 16:39 |
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