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Escrito por Carlos Ventura
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Quarta, 02 Julho 2008 14:39 |
in revista Natural BeijaFlor 2006 junho Vinagres & Sabor Ácido O termo vinagre
vem de vinho acre, ou seja, vinho azedo. Este processo ocorre
naturalmente quando um líquido com menos de 18 por cento de álcool é exposto ao
ar. No Ocidente a feitura do vinagre foi também competência dos produtores de vinho
e de cerveja, até que no século XVII este fabrico se autonomizou e começou a
ser produzido numa indústria separada. Esta, como as outras principais
fermentações, foi descoberta desde a pré-história. Neste caso, o líquido
alcoólico que sofreu fermentação acética espontânea terá sido a cerveja,
fenómeno que terá sido adoptado pelas populações e com o tempo aperfeiçoado. A
seguir ao sal, o vinagre foi um dos primeiros alimentos a ser usado como tempero,
mas também como condimento e conservante. Nos alimentos e não só, é
tradicionalmente usado como germicida.
Uma questão
incontornável é a qualidade do produto e quanto a esta é preciso dizer que
actualmente é comum a venda de vinagres destilados. Mas estes não deveriam ser
usados como alimentos, já que são altamente desmineralizantes, destruindo o
fósforo no organismo, estimulando em demasia a tiróide e enfraquecendo os
glóbulos vermelhos.
O vinagre mais comum no
nosso país é o de vinho. Porém é bastante agressivo para os rins e para o
fígado. O de maçã ou de cidra é mais suave e o de arroz ainda mais, podendo
inclusivamente ser terapêutico. Neste último caso, também contribui o facto de
a fermentação ser diferente. De entre os vinagres disponíveis nas lojas de
produtos naturais, há um radicalmente diverso: é o de ameixa umeboshi. Em
primeiro lugar porque tem sal, o lhe confere possibilidades gastronómicas
únicas e preciosas. Em segundo lugar, porque, apesar de ser apresentado como
vinagre e de na realidade ter um sabor ácido acentuado, não é um produto de
fermentação acética, mas láctica.
Na naturologia
oriental, o vinagre de boa qualidade, se usado com moderação, é usado como
desintoxicante e tem acção muito positiva sobre a função hepática,
inclusivamente sobre o mau humor (comportamento associado ao mau funcionamento
do fígado). Para estes casos, é aconselhada uma colher de chá de vinagre de
arroz diluído num copo de água morna em jejum.
Como acontece com
outros alimentos, será bom escolhê-los de fermentação natural, não filtrados
nem pasteurizados, sob pena de estarmos a comer gato por lebre e em vez de
estarmos a colher benefícios, estarmos a acumular problemas. Externamente, os
vinagres são úteis em picadas de insectos e (embebidos num pouco de gaze ou num
pequeno pano) para estancar o sangue do nariz. Usado para enxaguar os cabelos
após a lavagem, torna-os sedosos, brilhantes e macios.
(Fonte principal: O
Pequeno Livro dos Alimentos Saudáveis, ed. Gradiva)
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