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A Macrobiótica e a Alimentação das Crianças |
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Escrito por Carlos Ventura
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Terça, 08 Julho 2008 08:13 |
in revista Flor de lótus 2008 jul; 2008 ag-set
A MACROBIÓTICA E A ALIMENTAÇÃO DAS CRIANÇAS A alimentação macrobiótica é uma
dieta que se baseia em cereais integrais, legumes, leguminosas e derivados e só
um pouco de peixe, ou seja, em alimentos basicamente de origem vegetal. Mas
será que as crianças, que têm necessidades nutricionais diferentes dos adultos,
podem sem riscos ser macrobióticas?
A questão é: como é que a
macrobiótica - que como vimos tem como princípios gerais basear-se quase
exclusivamente em alimentos vegetais - se adapta a crianças? Comecemos pelo
princípio.
Comecemos por dizer que a parte
mais importante da vida de qualquer um de nós é aquela que vivemos no útero da
nossa mãe. Foi durante esses nove meses que nós, de uma única célula, desenvolvemos
a nossa estrutura e os nossos órgãos, que nos permitiram ao nascer ser capazes
de sobreviver sem o cordão umbilical e respirando pelos nossos próprios
pulmões. Isto quer dizer que uma gravidez equilibrada prepara o futuro ser para
uma vida saudável, enquanto que uma gravidez durante a qual a mãe se alimentou
mal e viveu mal cria condições para uma vida menos saudável e mais difícil ao
fruto dessa gravidez.
O período do parto, que apesar de
ser um evento breve (tanto pode demorar minutos como demorar dias) é muito
importante pois pode determinar sequelas graves. Tem pois que ser bem
preparado. E logo a seguir o recém-nascido começa a alimentar-se. O primeiro
alimento, que segundo a macrobiótica deve prolongar-se como alimento exclusivo
por seis meses, é o leite materno. Depois dessa idade, a mama vai diminuindo
até que o bebé deixa de mamar por volta dos doze a quinze meses.
Aos seis meses, o bebé deve
começar a ingerir leites de cereais (de arroz, de arroz glutinoso, de milho
painço, de cevada, ...) feitos em casa. Gradualmente, ao longo dos meses, estes
leites de cereais vão sendo preparados com uma consistência cada vez mais
espessa, até deixarem de ser leites e passarem a ser papas de cereais.
A partir dos doze a quinze meses
de idade (ou seja, quando deixa de mamar e já consegue mastigar), o bébé pode
começar, grosso modo, a comer o que os adultos comem, ressalvando que a sua
comida deve ser mais macia e em pedaços mais pequenos e não deve conter nenhum
(ou quase nenhum) sal. Há outro aspecto que deve sublinhar-se: as crianças em
idade escolar devem comer mais percentagem de alimentos proteicos (nomeadamente
de proteína animal) que a que é recomendada para os adultos nos livros de
macrobiótica.
Em relação às crianças e aos
adolescentes (muito mais ainda que aos adultos) deve haver muita flexibilidade
quando se fala de regras alimentares. Muita rigidez dá frequentemente mau
resultado. É bom ter em casa bons alimentos, nomeadamente de origem biológica.
Lembremos que actualmente existem iogurtes, queijos frescos, requeijões, leite
de cabra e peixe biológicos no mercado, o que pode complementar dietas
eventualmente desequilibradas e deficientes em certos nutrientes.
Por último, tão importante como o
que uma dieta inclui, é o que ela não deve incluir. E será óptimo que as
crianças não comam açúcar e bebidas (principalmente as colas) e alimentos
(nomeadamente gelados) açucarados nem carne e que limitem os fritos e a comida
de plástico. A Macrobiótica também desaconselha o uso de leite de vaca.
Ao longo dos últimos trinta anos,
entre os clientes que têm vindo às minhas consultas, inclui-se um número
significativo de crianças, seja por estarem doentes, seja por os pais
pretenderem para elas orientações alimentares e de saúde, e os resultados têm
sido muito positivos. Mas é claro que os meus principais "clientes" têm sido os
meus três filhos, a mais velha dos quais já atingiu a maioridade e os outros para
lá caminham. Estes meus "clientes" especiais seguiram desde sempre as
indicações que genérica e brevemente enumerei neste artigo e sempre têm sido
saudáveis.
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