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A Alimentação na Prática da Fitoterapia |
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Escrito por Carlos Ventura
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Quarta, 02 Julho 2008 17:23 |
in BOLETIM DO CONSELHO
FEDERATIVO 2006 julho A ALIMENTAÇÃO NA
PRÁTICA DO FITOTERAPEUTA
Hipócrates tinha uma abordagem gradativa do tratamento. Quer dizer:
deveria começar-se por métodos e substâncias mais equilibradas e suaves, só se
passando à aplicação de outras hipóteses no caso de serem necessárias, por
resultados insatisfatórios das anteriores. Isto está expresso no aforismo primum
non nocere - em primeiro lugar não causar dano/não prejudicar. De facto, se
logo à partida começarmos por utilizar métodos e substâncias fortes estaremos,
talvez desnecessariamente, a sobrecarregar o organismo. A prejudicá-lo,
portanto. Daí que os primeiros tratamentos de Hipócrates fossem
preferencialmente alimentação simples, ar livre, sol, banhos. Esta continua a
ser a nossa filosofia, consequente com a qual preconizamos como indispensável a
qualquer recuperação um regime alimentar saudável e adequado. Esta metodologia
é assumida pela naturopatia clássica. Também o é pela medicina tradicional
chinesa e pela fitoterapia, apesar de nem sempre ser aplicada, por menor
sensibilização e formação do profissional na área da alimentação. Os outros profissionais
das medicinas não convencionais têm menos probabilidades de formação específica
em alimentação (aparte casos óbvios como por exemplo os consultores formados em
macrobiótica). Falemos especificamente dos fitoterapeutas, já que é na
qualidade de fundador e dirigente da sua associação que escrevo. Fitoterapia
significa tratamento pelas plantas. Mas é bom lembrar que a maior parte da
nossa alimentação é de origem vegetal e que, sendo normalmente referidas
separadamente as plantas de uso medicinal e as plantas de uso alimentar, o que
é verdade é que as fronteiras nem sempre são evidentes. Basta dar alguns
exemplos muito simples. A urtiga que é usada como infusão pode ser usada em
sopas ou em esparregados; a aveia come-se em flocos mas encontra-se em
extractos sedativos; o alho e o óleo de gérmen de trigo estão como temperos no
nosso prato mas também em cápsulas. Os exemplos poderiam ser inúmeros. É óbvio
então que os fitoterapeutas estão conscientes das propriedades curativas dos
alimentos e que podem organizá-los em dietas, assim a formação que lhes é
administrada seja competente, estruturada e na tradição da fitoterapia
naturopática clássica.
Acresce que estes argumentos entroncam numa asserção importante da
fitoterapia e naturopatia clássicas: que o que nós ingerimos, seja que
substância for, não é inócua nem neutra. Produz, seja ela qual for, sempre
algum efeito, positivo ou negativo. Ou seja, um alimento deve ser levado em
conta como factor de saúde, sob pena de ser um factor de doença. Se nós não
escolhermos a dieta adequada para determinado caso e deixarmos a alimentação ao
critério do cliente, temos muitas hipóteses de que o que ele come esteja a
sabotar os tratamentos que nós lhe recomendámos. Isto significa que as doses e
o tempo vão ser superiores para obter resultados que, com a ajuda da
alimentação, poderiam sobrecarregar muito menos o organismo (e as despesas) do
cliente.
Carlos Campos Ventura foi fundador e é Vice-presidente da Associação Portuguesa de
Fitoterapia Clássica e do Conselho
Federativo-Federação das Medicinas Não Convencionais
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