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Escrito por Carlos Ventura
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Quarta, 02 Julho 2008 20:16 |
in revista Natural BeijaFlor 2007 fev OUVIR O CORPO
Para
além do estudo, das palestras, de pequenos cursos e dos conselhos dos
profissionais de saúde, o adepto da alimentação natural e de práticas de saúde
natural não deve esquecer que o seu corpo lhe envia permanentemente mensagens
valiosíssimas para entender o que se está a passar dentro de si. E esses sinais
não precisam de ser tão evidentes como febre ou dores.
Na
verdade, em certo sentido, a informação recolhida pode até ser um entrave à
saúde, se for demasiado intelectualizada e racionalizada, instalando um sistema
rígido que submeta o organismo a dietas desadaptadas das suas necessidades e
inflexíveis perante os sinais de alarme e reacções que o corpo vá
experimentando. E nesta atenção aos sinais é preciso não esquecer que a
organização alimentar que resulta bem hoje pode já não se adaptar ao mesmo
organismo daqui a um mês ou até daqui a uma semana.
E se o
que tenho vindo a dizer é verdade no caso de um indivíduo estar com uma saúde
regular, ainda é mais válido quando existe um problema grave. Ainda por cima,
em casos agudos a situação muda muito mais rapidamente do que em problemas
crónicos. Mas mesmo que haja atenção aos sinais, consegue o leigo
interpretá-los? Quanto a esta questão, é bom sublinhar que a experiência é uma
grande mestra. Durante os primeiros anos, o adepto de alimentação natural deve
necessariamente ouvir os mais experientes e consultar profissionais
competentes. Com o tempo, porém, é inevitável que ele próprio vá entendendo e
interpretando as reacções que no início lhe pareciam desconexas,
incompreensíveis e às vezes até assustadoras. Como evoluir nesta capacidade de
ouvir os sinais do seu corpo, interpretá-los e proceder de forma a corresponder
às necessidades que os sinais enunciaram? Em primeiro lugar é indispensável não
perder o bom senso, sendo capaz de pesar o que sente, percebendo o que é
importante ou não. Em segundo lugar, é necessário ter a humildade suficiente
para admitir, e em primeiro lugar perante si próprio, que pode estar doente,
que pode não estar a ser capaz de resolver o problema sozinho, e que portanto
pode precisar de ajuda e recorrer a alguém amigo ou a um profissional. Mas em
última análise, isto continua a ser bom senso... É claro que o estudo que o
indivíduo vai fazendo é muito bem-vindo. Mas se o bom senso e a humildade se
perderem pelo caminho, os resultados podem não ser os melhores.
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