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Escrito por Carlos Ventura
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Quarta, 02 Julho 2008 20:00 |
in revista Natural BeijaFlor 2007 janeiro
ANO NOVO
1 de Janeiro de 2007.
Eis-nos que começamos de novo. Na verdade, recomeçámos no dia do solstício de
Inverno. Essa foi a noite mais longa do ano e no momento em que mergulhámos na
maior escuridão e nessa morte simbólica, iniciámos simultaneamente o caminho
para a luz, para o sol e para a vida. A nossa vida inicia-se in utero e
é nesse ambiente fechado e protegido que nos desenvolvemos durante nove meses
até emergirmos, assumindo-nos então como seres que das entranhas da Terra saem,
sedentos de ar e de luz. Todo o nascimento é um grito de esperança. Perante
todas as ameaças, perante toda a degradação, perante os desânimos, perante as
derrotas, perante a prostração, quando um novo ser nasce é a vida que ressurge,
intacta como da primeira vez. Seja nas plantas, seja nos animais, o ciclo é o
mesmo, da hibernação à maturidade solar.
O rio pode ter margem
apertadas, pode encontrar montanhas pela frente. Mas a corrente está lá, umas
vezes violenta, outras com força tranquila, e o rio nunca vai desistir de
chegar ao mar. Pode encontrar muitas maneiras de o fazer e se encontrar pelo
caminho um rio maior lançar-se-á nele como meio de correr mais depressa para a
foz salgada. Dos seres unicelulares ao ser humano, o tropismo vital é o mesmo.
Em qualquer ser vivo, há um impulso atraído para o centro da vida e que murmura
a cada momento: não desistas, não desistas nunca.
E este ano, que nos
reservará? O que faremos nós com estes trezentos e sessenta e cinco dias que o
Universo nos oferece? Uma coisa é certa: eles serão irrepetíveis. Cada momento
desses dias terá um valor específico e não voltará a ser vivido. Cada nosso
gesto, olhar, acção terá a nossa impressão digital e será um elo entre o que já
aconteceu e o que acontecerá depois. Mas será essencialmente aquele momento, único e especial.
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